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Cada um no seu quadrado!




A secularização do cristianismo corrompe os bons costumes. Nossa geração conhece muito pouco de vida cristã, aquela que assevera haver alguma diferença entre os justos e ímpios, entre os que servem a Deus e os que não servem; aquela que aponta "cada um no seu quadrado".
Em minha adolescência eu odiava a hipocrisia de muitos líderes. Tinha severas restrições àqueles que tentavam mascarar a vida cristã apenas por fora. Lutei - naquela igreja do interior - para que o radicalismo exacerbado, a rigidez, as doutrinas vazias de significado não recebessem tanto valor. Muitas vezes, em nome da santidade, os líderes demonizavam a alegria e proibiam os jovens de qualquer envolvimento com o que consideravam mundano: dancar, bater palmas nos cultos, ir aos shows de bandas evangélicas, jogar futebol, assistir a televisão. Eu me sentia sob um regime de opressão.
Ainda jovem me vi livre desse regime. Não sou favorável a qualquer tipo de opressão.
Mas hoje a liberalidade nos guetos evangélicos ultrapassa limites. Liberou geral! Penso que se os meus líderes presenciassem o que tenho presenciado em algumas "festinhas" de gente evangélica, como um aniversário ou uma recepção de casamento, eles sofreriam uma parada cardíaca.
Eu mesmo, que tanto lutei pela liberdade na vida cristã, me escandalizo nestes lugares. E parece tão comum entre nossos jovens o consumo de bebida alcoólica e o envolvimento sexual no namoro que o que vou relatar pode me classificar no mundo dos dinossauros. Devo estar mesmo!
Creio que festas de aniversário são um momento singular para agradecermos a Deus pelo dom da vida. No entanto, nas últimas festas de que participei, o que "rolou" foi muita música e muita dança! Não, não era dança com músicas evangélicas! Pelo contrário, do funk ao axé, houve espaço até para um forrozinho - para agradar a gregos e troianos. E, passado despercebidamente, uma música secular tocava (como uma mensagem subliminar para que fizéssemos a diferença): ...ado, ado, cada um no seu quadrado!... No entanto, os crentes estavam no quadrado profano.
Outro dia, após uma cerimônia de casamento, a "sonzeira" quase me enlouqueceu: começou com músicas dos anos 60, depois dos anos 80, até chegar nas mais badaladas - todas seculares. Nem uma música evangélica! O casal de quem realizei a cerimônia nupcial, percebendo minha indignação (no sentido mais próprio desta palavra, pois não me considero digno dali), tentou justificar: "tenho muitos parentes descrentes, que não se sentiriam bem sem essas músicas". Pobre casal. Se os noivos são incapazes de decidir o que vai tocar na cerimônia de casamento, certamente deixam a porta aberta para toda influência que vier de fora - o vento, a chuva, os rios...
Respeito a posição de cada um, mas ainda prefiro permanecer longe desta secularização. Está exagerado! Está descabido! Dista quilômetros do que sugere a bíblia.
Este quadro aponta para a inoperância da igreja na vida das pessoas. Acusa a liderança atual que não privilegia a instrução. Expõe um evangelho tosco, impotente: nem mesmo é capaz de nortear nossas festas de fraternidade.
Quero ser diferente. Sim, quero ser! Não há presunção nem altivez neste desejo, pois é bíblico. Quero que meus filhos sejam canal da luz de Cristo para seus colegas e amigos, ainda que custe a popularidade deles. Quero que meus amigos sejam verdadeiros e me aceitem como sou: cristão, e pronto! Ensino isto também aos meus filhos e oro para não me decepcionar lá na frente!

Que Deus tenha piedade de nós!

AÉCIO RIBEIRO é pastor; comunicólogo; diretor executivo do CPESP; e atualmente preside a Assembléia de Bom Retiro em Guarulhos-SP.

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